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As chances de encontrar sobreviventes diminuem a cada hora, mas equipes de resgate da Venezuela e de diversos países continuam trabalhando sem parar para localizar pessoas sob os escombros, uma semana após os devastadores terremotos que atingiram o país.

 

Até esta quarta-feira (1º), o balanço oficial aponta 1.943 mortos, 10.571 feridos e milhares de desabrigados. Segundo as autoridades, 6.461 pessoas foram resgatadas, enquanto entre 13.400 e 13.500 moradores conseguiram escapar por conta própria ou com ajuda de familiares logo após os tremores.

 

Crianças são encontradas com vida

 

Entre os resgates mais emocionantes dos últimos dias está o de uma criança de três anos, encontrada com vida após permanecer quase seis dias presa sob os escombros de um prédio no estado de La Guaira, próximo a Caracas, a região mais atingida pelos terremotos. Na segunda-feira, outra criança também foi retirada com vida dos destroços de um edifício no mesmo estado.

 

Outro caso que mobiliza as equipes é o do vigilante Hernán Gil, que permanece preso na guarita do subsolo do edifício onde trabalhava, na cidade de Catia La Mar. Localizado no último domingo, ele continua vivo e recebe hidratação enquanto os socorristas tentam retirá-lo dos escombros. O resgate, porém, é extremamente complexo devido à estrutura comprometida do prédio.

 

Silêncio para ouvir sinais de vida

 

Em La Guaira, o silêncio passou a ser uma ferramenta essencial nas operações de busca.

 

Na terça-feira, mais de 100 pessoas permaneceram completamente em silêncio por cerca de dez minutos ao lado do conjunto habitacional Hugo Chávez, conhecido como Los Cocos, em Catia La Mar. O objetivo era permitir que os socorristas ouvissem qualquer sinal de sobreviventes sob os escombros das seis torres que desabaram.

 

Após o período de silêncio, os trabalhos de escavação foram retomados. As equipes ainda acreditam ser possível encontrar pessoas com vida, embora também realizem a retirada de vítimas fatais.

 

Esperança diminui, mas buscas continuam

 

Especialistas afirmam que, após 72 horas, as chances de encontrar sobreviventes caem drasticamente. Mesmo assim, as operações continuam.

 

O militar espanhol Alberto Vázquez, integrante da Unidade Militar de Emergências (UME), destacou que ainda existem possibilidades de localizar pessoas vivas e, por isso, os trabalhos não podem ser interrompidos.

 

Atualmente, mais de 3.300 socorristas enviados por 27 países, sob coordenação das Nações Unidas, participam das operações de resgate na Venezuela.

 

Hospitais enfrentam sobrecarga

 

Enquanto as buscas prosseguem, hospitais de Caracas trabalham acima da capacidade.

 

Segundo médicos do Hospital Miguel Pérez Carreño, muitos pacientes chegaram em estado gravíssimo, e cerca de 60% dos casos mais graves necessitaram de amputações. Pelo menos 30 crianças seguem internadas na unidade.

 

Profissionais da saúde relatam jornadas de até 16 horas diárias, enquanto equipes de enfermagem chegam a cumprir turnos de até 24 horas devido ao grande número de vítimas.

Cemitérios e crematórios lotados

 

O impacto da tragédia também é sentido nos cemitérios e crematórios da capital.

 

Funcionários relatam um aumento expressivo no número de sepultamentos e cremações desde os terremotos. Em La Guaira, o porto da cidade foi transformado em um necrotério improvisado para receber os corpos retirados dos escombros e realizar a identificação das vítimas.

Balanço da tragédia

 

Os terremotos de magnitude 7,2 e 7,5, registrados em 24 de junho, provocaram a destruição de 855 edifícios, dos quais 189 desabaram completamente.

Foto: Miguel Medina

O número oficial de mortos chegou a 1.943 pessoas, enquanto centenas ainda permanecem desaparecidas. As autoridades seguem concentrando esforços para localizar sobreviventes e prestar assistência às milhares de famílias afetadas pela maior tragédia natural registrada no país nos últimos anos.

 

Fonte:Band.com.br e Agência EFE.

 

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